Três meses depois que a Força Aérea colocou a culpa justamente sobre um piloto de caça F-22 que morreu quando ele caiu com o avião mais caro da USAF depois que seu sistema de oxigênio falhou em voo…
(Foto: U.S. Air Force)
Cavok: 11 de março de 2012por Fernando Valduga
Um oficial superior da Força Aérea está, aparentemente, voltando atrás – e dizendo que o piloto não foi culpado e que ele fez o melhor que pôde na situação em que se encontrava.
“Nós não atribuímos a culpa ao piloto”, disse o chefe de pessoal da Força Aérea dos EUA General Norton Schwartz, perante um subcomitê da Câmara nessa semana, quando questionado sobre o acidente e o programa F-22 pelo deputado Jim Moran, democrata do estado de Virginia, de acordo com vários relatórios. “… Esta foi uma contingência complexa onde ele fez o seu melhor para gerir e, no final, perdeu o controle da aeronave.”
Os comentários de Schwartz parecem contradizer as conclusões de um relatório da Força Aérea que foi divulgado depois de uma intensa investigação de meses de duração em novembro de 2010, no acidente que ceifou a vida do capitão Jeff Haney, que a Força Aérea chamou de um aviador excepcional. Haney caiu no Alasca, depois de uma avaria causada no seu sistema de oxigênio, que se desligou completamente, o que significa que o piloto sofreu “uma sensação semelhante à asfixia” em pleno vôo, de acordo com o relatório da Força Aérea.
“O presidente do conselho encontrou, que com provas claras e convincentes, a causa do acidente foi a falha do [piloto] em reconhecer e iniciar uma recuperação de mergulho oportuna devido à atenção focada, quebra de varredura visual, e desorientação espacial não reconhecida”, disse o relatório, essencialmente dizendo que Haney estava muito distraído por não ser capaz de respirar para pilotar o avião corretamente. O relatório também apontou outros fatores que contribuiram para o acidente, mas disse que ainda era um mistério, como o que causou o mau funcionamento original.
Moran observou na audiência de terça-feira que o conselho de investigação culpou Haney e disse: “Houve uma sugestão… dizendo que o serviço está tentando proteger suas aeronaves de caça de quinta geração e as pessoas envolvidas no programa,” de acordo com um relatório do The Air Force Times.
Um caça F-22 Raptor na Base Aérea de Elmendorf, Alaska. (Foto: U.S. Air Force)
Em janeiro, o escritório do Inspector Geral do Pentágono informou que a Força Aérea deveria realizar sua própria revisão da investigação – a primeira grande revisão de uma investigação de acidente militar em quase 20 anos.
Os sofisticados caças F-22 Raptors, que custaram ao governo dos EUA cerca de US$ 77,4 bilhões, têm como objetivo estar entre os aviões de combate mais avançados do planeta. Mas eles ainda têm que ser provados em qualquer combate – pois não foram utilizados no Iraque, Afeganistão e Líbia, apesar de estar prontos para o combate operacional desde o final de 2005 – e têm sido atormentados com um raro e misterioso problema de oxigênio.
No ano passado, a Força Aérea dos EUA suspendeu os voos de toda frota de aviões por quase cinco meses, enquanto o serviço investigava por que, em algumas ocasiões em separado, os pilotos experientes sentiam “sintomas semelhantes aos de hipóxia” em pleno vôo. A hipóxia ocorre quando o cérebro fica privado de oxigênio e é caracterizada por tonturas, confusão, ocasionando um julgamento ruim e desatenção.
Mas depois de procurar nos aviões pela fonte do problema, a Força Aérea foi incapaz de apontar qualquer “sinal de fumaça”, como o tenente-general Herbert Carlisle colocou na semana passada, e cautelosamente permitiu que os pilotos retornassem ao cockpit em setembro de 2011. Uma vez que os aviões voltaram ao voo, a Força Aérea registrou outros nove casos de pilotos experimentarem os sintomas de “hipóxia” – levando as aeronaves a pararem por mais uns dias suas operações em diferentes bases.
Um porta-voz da Força Aérea disse que a Força Aérea está auxiliando seus pilotos de muito perto, pois isso permite que as aeronaves possam continuar voando.
“O principal fator é que esse avião é importante para a segurança nacional e nós temos as melhores mentes que podemos encontrar… e estamos trabalhando duro para que ambos gerenciem o risco e identifiquem a causa exata”, disse Schwartz na terça-feira.
Fonte: ABC News – Tradução: Cavok
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